Plasticum nasce da observação silenciosa do oceano e da presença persistente do plástico no seu interior.
Estas pequenas pinturas mostram momentos de convivência forçada entre a vida marinha e os resíduos humanos — não como denúncia agressiva, mas como constatação poética.
A tartaruga surge como símbolo de resistência e fragilidade, atravessando um espaço que já não lhe pertence por inteiro.
O azul continua belo, mas já não é inocente.
Um oceano aparentemente sereno, onde a vida continua a mover-se apesar das marcas invisíveis da intervenção humana.
O silêncio não é paz, é contenção.
O plástico entra no espaço vital da tartaruga como algo estranho e inevitável.
Não há confronto, apenas a ocupação lenta de um território que antes era livre.
O plástico deixa de ser apenas lixo e assume uma presença quase orgânica.
A fronteira entre o natural e o artificial torna-se ambígua.
A tartaruga segue em frente, arrastando consigo os sinais da nossa passagem.
Não escolhe, adapta-se.